3 de dezembro de 2009

2 de dezembro de 2009

Alexandre Lamotte

30 de novembro de 2009

Arrancou daqui um pedaço.. deixou o nó na garganta do que se foi, sem um dia ter sido completo.. Deixou de ser o que não havia ainda se tornado, e arrancou à força a vontade, a esperança, os planos, os desejos..
Vi correr o relógio e passar a vida, as pessoas. Foi quando você também passou... rasgando-me com o seu "ir embora", fazendo meu corpo desfalecer e o espírito se apagar. Sem olhar pra trás, me largou com o sufocamento.. a insuportável falta de ar.

Só te peço que nunca me lembre do futuro.. dos tijolos e da maldita cerca branca. Das máquinas fotográficas, dos microfones, do mundo, da areia.. dos vinis, das músicas (das nossas, e de todas as outras que virão me recordar de ti).
Não quero mais saber dos teus olhos vermelhos de ódio... e das lágrimas, que insiste em dizer que fui eu quem as deixei cair (as lágrimas que, com tanto cuidado, tentei secar com os mais puros beijos e acalentos que vinham do âmago).
Prefiro ser cega quando você tocar em outras mãos e quando carregar no peito o horizonte de uma vida sem mim.
Queria poder escolher o não-sentir. E o não-sentir de ti por mim, também.

Tantos copos d'água não são suficientes pra acalmar a alma..

Fatídico.

Quis um pouco de mim hoje, e não tive.
Me perdi nos outros, no mundo, e não me encontrei. Foi por pouco, assim.. passei raspando no que parecia ser um pedaço do meu extremo esquerdo.. mas voltei de súbito quando o lado direito trombou com um passante qualquer. Nem seu nome eu sabia, mas me perdi pra ele.
Me perdi pra um qualquer, um vulto no meio da multidão.. me esbarrou como se tivesse os olhos vendados, passou como se passa por uma pedra no meio do caminho.
Nunca soube que fez eu me perder em mim mesma e que só me deixou procurando o que eu de fato nunca achei..

7 de setembro de 2009

Será que eu sou permitida a perder as esperanças? Dentre todos, logo eu...que nunca esperei demais da vida, que não cobrava forças de ninguém, só compreensão. Será que não há a chance do amor livre, puro, e que tem que doer tanto assim alcançá-lo?
Eu me doei à vida e ao amor.. E o amor e a vida me devolveram dor.

1 de agosto de 2009

Das coisas que passaram despercebidas - I

Ana se dizia uma desacreditada no amor. Estava sozinha, enrolada com mil pessoas, consigo mesma.. não encontrava uma estabilidade e nem mesmo a queria, por achar que o estável culminaria, indubitavelmente, numa prisão. Se entregava, porém, ao que parecia ser qualquer e toda forma de amor sincero e livre que encontrava por aí, enquanto maldizia o sentimento para o vento, tentando se convencer do que falava..

Vitor, tratava o amor da forma como ela menos podia suportar.. não admitia que estava à procura dele e nem se dava espaço para vivê-lo. Achava mesmo que sua auto-suficiência era o bastante e que seria (quase) impossível encontrar o amor novamente. Ele se convencia disso profundamente, todos os dias, e não deixava transparecer a mínima fraqueza para os outros ou para si.

Ela olhava pra ele sem o mínimo interesse.. Ele também.

Por tempos não passaram de dois bons conhecidos que dividiam certos gostos em comum.. conversavam sobre o tempo, sobre música.. e era só até aí que os poucos minutos que resolviam dividir com uma conversa, os levava. Nunca falavam sobre os sentimentos, sobre o mundo.. nunca deixavam que o assunto os penetrasse mais do que o superficial, ou que um olhar fosse além do vazio mundano.

Tentavam se aproximar com abraços repentinos, em demonstrações inesperadas de carinho, quando havia alguma brecha na barreira de concreto que cada um havia criado pra si...e era bom. Tão bom! Mas não sabiam explicar exatamente o porque.. e nem sequer queriam tentar. Se tentassem realmente, iam cair numa indagação profunda sobre o que acontecia entre eles, e isso culminaria em algum dos dois indo embora, sem pensar pela segunda vez.. por medo, por auto-defesa.

Era melhor que as coisas ficassem assim, no não-explicado, no não-dito e feito..